APLV: alergia à proteína do leite de vaca
A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) acontece quando o sistema imunológico da criança reage às proteínas do leite como se fossem uma ameaça. É uma das alergias alimentares mais frequentes nos primeiros anos de vida e costuma aparecer ainda no bebê — inclusive em quem mama no peito, já que proteínas do leite consumido pela mãe podem passar para o leite materno.
A APLV é diferente da intolerância à lactose: na alergia, a reação é à proteína do leite; na intolerância, a dificuldade é digerir o açúcar do leite (a lactose).
Sintomas
Os sinais podem surgir minutos após o contato com o leite (reações imediatas) ou horas a dias depois (reações tardias), o que muitas vezes dificulta a identificação.
- Vômitos frequentes ou regurgitação intensa
- Diarreia, às vezes com muco ou sangue nas fezes
- Cólicas, choro excessivo e irritabilidade nas mamadas
- Manchas vermelhas, urticária ou inchaço nos lábios e olhos
- Dermatite (eczema) persistente
- Dificuldade para ganhar peso
Fatores de risco
A causa exata ainda não é totalmente conhecida. Histórico familiar de alergias, como asma, rinite e dermatite atópica, aumenta a chance. A imaturidade do sistema imunológico e do intestino nos primeiros meses de vida também contribui.
Diagnóstico
O diagnóstico é principalmente clínico. Começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas e a alimentação da criança (e da mãe, quando há amamentação), além do exame físico.
Em muitos casos, a confirmação é feita com a retirada do leite e derivados por um período, seguida da reintrodução supervisionada (teste de provocação oral), sempre com orientação médica. Exames de sangue ou testes de pele podem ajudar em situações específicas, mas não substituem a avaliação clínica.
Tratamento
O tratamento consiste em excluir o leite de vaca e seus derivados da alimentação, com orientação para leitura de rótulos e substituições adequadas. Quando o bebê mama no peito, a amamentação deve ser mantida sempre que possível, com ajuste da dieta materna quando indicado. Para bebês que usam fórmula, existem fórmulas especiais, indicadas de forma individualizada.
Muitas crianças desenvolvem tolerância ao leite com o passar do tempo. Por isso, o acompanhamento periódico é importante para avaliar, com segurança, o momento de reintroduzir o alimento.
Quando procurar o médico
Procure avaliação se o bebê ou a criança apresenta sintomas persistentes relacionados à alimentação. Evite retirar o leite da dieta da criança, ou da mãe, sem orientação: exclusões desnecessárias podem prejudicar a nutrição.
Inchaço de boca ou língua, dificuldade para respirar, vômitos intensos ou palidez e moleza logo após ingerir leite são sinais de emergência: procure o pronto-socorro imediatamente.
